quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O Gospel Da Cultura E A Cultura Do Gospel


Uma das coisas que Mario Vargas Llosa combate em seu livro: "A civilização do espétáculo" é uma civilização, de certo a nossa, que tem deixado de valorizar o que verdadeiramente é cultura e primado muitíssimo mais por uma cultura embebida de um vácuo tremendo e por efeito, destituída de valor artístico.
Ele, Vargas Llosa, lamenta profundamente o "estado de saúde" em que a cultura encontra-se. Ele, mais ou menos diz o seguinte: "Pega-se em qualquer porcaria que existe, coloca-se a placa "cultural ou cultura", arranja-se um lobby ou contrata-se os media e aquilo torna-se definitavamente um big bang de sucesso. Também cita vários exemplos estapafúrdios desta desgraça. É possível, diz ele, até com excrementos de um animal que ficou em exposição em um museu ou um grupo de pessoas que defecam em palco ou em praça pública fazer-se disso "cultura". Enquanto preparava estas breves notas dei de caras com uma notícia em que uma galeria "expôs" arte invísivel, ou seja, as pessoas foram ao dito lugar para verem simplesmente nada. Isso é considerado cultura. Tudo isso é passível de  acontecer e é real em nosso mundo que mais parece imaginário.
Isso acontece porquê? Porque se perdeu a noção ou melhor, a definição de cultura, definição esta que nem os melhores dicionários nos valem.

Nota: Usarei a palavra gospel entre aspas exatamente porque acho que aquilo que falarei foge completamente ao escopo do que pode ser considerado verdadeiro Gospel.


E O Mundo "Gospel" ?
De certa forma é mais ou menos isso que venho a assistir, mais para mais do que mais para menos, no meio "gospel". Pega-se em qualquer sujeira que se queira, cataloga-se como "gospel" e tenta-se meter goela abaixo dos "gospéis". Hoje há nudismo "gospel", maconha "gospel", bordel "gospel", casamento e recasamentos "gospel", divórcio "gospel", swing "gospel", etc, etc.
A música é também um grande exemplos deste flagelo. O "gospel" tem se tornado uma forma de cultura. Houve inclusivé no brasil uma tentativa de considerar a musica "gospel" como parte da cultura brasileira, nem sei se foi aprovado e pouco realmente interessa-me.

Características desta cultura "gospel":
Permitam-me apontar algumas características que considero fulcrais e aberrantes neste mundinho "gospel". E são:

  • Sem Conteúdo Gospel:
Assim como aconteceu com a cultura citada por Llosa, o mesmo está acontecendo com o mundo "gospel". Como se perdeu a noção ou a definição do verdadeiro evangelho, assim como da cultura - ressalto - "não é mais possível" definir e vivê-lo.
Por Gospel, segundo a minha fraca capacidade de entender inglês deveria significar: Evangelho. Ora de uma coisa tenho a certeza: Nem tudo o que carrega o título "gospel" traz consigo uma mensagem apoiada pelo evangelho de Cristo e revela uma vida transformada por este mesmo Evangelho. Não é o hábito que faz o abade, podemos dizer.
Há muita gente a consumir música "gospel" que faz mais mal à saúde (espiritual) do que fast food. E não me refiro propriamente ao estilo musical, embora também neste aspeto possuo uma opinião ou talvez uma preferência, mas sim às próprias letras destiutuídas do verdadeiro evangelho ou verdadeiro Gospel.
Talvez se conta pelos dedos de uma mão, mesmo que se tenha perdido um, os músicos que se baseiam nas Escrituras para escreverem as suas músicas e cantá-las de forma inspirada tal qual foi a composição das mesmas.

  • Sem Imaginação Ou Inspiração "gospel":
Outra problema que tem acontecido é determinados cantores "gospel" usarem um hit não gospel, aplicarem uma letra "gospel" e cantarem ... até nas "igrejas".
Como a música é um sucesso secular e a juventude e a massa asssociatica "gospel" gosta, então nada melhor para S€ faturar(sendo mais uma fratura) e com a lei do menor esforço aplicada.
À relativamente pouquíssimo tempo um grande grupo mundial "gospe" trouxe para dentro do seu lugar de culto esta realidade. E sabem de uma coisa: As pessas estavam doidinhas a cantar e a pular ao som do bit gangnam style com a letrinha adivinhem ... "gospel".


  • Romantismo "gospel":
Depois há outra problema com algumas destas músicas: O romantismo. Em algumas letras nem aparece qualquer referência a Deus ou a Cristo. Algumas há que se eu cantar para a minha esposa ela fica com a ideia que eu compôs a música exatamente para ela e resultará na perfeição de uma declaração de amor romântico.
Existe sim, e não vejo que haja qualquer problema em usar-se expressões poéticas a fim de falar-se de coisas espirituais ou do nosso relacionamento com Deus. Mas estas músicas "gospel" românticas beiram quase o erótico e creio que é necessário não deixarmos que as águas se misturem.


  • Idolatria "gospel":
Mais uma pérola de ofir neste mundo "gospel". Há grandes guerras primadas pelo amor aos cantores que é coisa feia de se ver e de ler.
Quando alguém vai contra o seu ídolo "gospel",  mais ou menos como estou fazendo aqui, mas sem a ocultação de nomes, logo caem em cima da dita pessoa um montão de fanáticos idólatras, completamente cegos por seu ídolo.
Tais pessoas chegam a beirar o rídiculo acabando por perder a noção da humanidade e pecaminosidade que tal cantor "gospel", o seu ídolo está sujeito.
Chega ao ponto de alguns comporem musicas de dedicatória, de louvor ou sei lá o quê, aos seus ídolos. Honra a quem honra, mas eu chego a duvidar se a intenção não irá mais além.


  • Mercado "gospel":
Hoje em dia talvez 90%, para não correr no risco de exagerar do mercado gospel está comprometido apenas e só com a faturação gospel. Tanto assim é que editoras "seculares", voltaram-se para este mercado porque tem tido um enorme sucesso. E tem, de facto!
Há vários exemplos de cantores verdadeiramente comprometidos com o verdadeiro Evangelho e pregação do mesmo usando a música, um exclenete meio diga-se, que se viram pressionados a mudarem determinados conteúdos porque segundo estes gurus do mercado "gospel" isso não seria vendável e portanto, talvez chocaria o público.
Claro está, que existem aqueles que são verdadeiramente fiéis ao verdadeiro Gospel (Evangelho) e recusam-se a mudar seja o que seja apenas por uma questão de mercado financeiro.
Muitos cantores "gospel" são apenas produtos de uma mercado que rende milhões para as editoras e para eles. A música "gospel" é um nicho de mercado bem rentável.
Infelizmente também é verdade que muitas igrejas alimentam isso, porque convidam tais pessoas, pagando altos caches, para que isso sirva de atrativo aos seus fiéis que há muito deixaram-no de ser comprometidos com o GOSPEL (Evangelho) DE CRISTO.


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