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Você Segue as Tradições ou é Salvo?

Conversão do Apóstolo Paulo
Ilustração de Gustave Doré

A própria palavra «tradição» provém de um vocábulo hebraico que significa: "transferir", "entregar".
Podemos definir tradição como: um processo em que certas normas e princípios morais, espirituais ou de outro género são transmitidos, são passados de uma geração para as outras gerações.
Isto acontecia com o povo de Israel, porém de uma forma positiva e por expressa ordem de Deus (Dt.6.20-25, Js.24.2-13)

Na verdade estas mesmas tradições foram se tornando motivo de ostentação por parte de Israel e às tradições divinas foram sendo acrescentadas com o passar dos anos outras tradições humanas, que à parte da bíblia formava o Talmude. Jesus certa vez disse aos escribas e fariseus chamando-os à atenção, que com suas tradições estavam invalidando e transgredindo os mandamentos de Deus (Mt.15.2,8,9, Cl.2.8). Aqui Jesus se depara com uma acusação que passa pelo facto dos discípulos não lavarem as mãos quando comiam pão. 
Isto também revela que certo tipo de tradições poder-se-ão tornar uma barreira à execução dos mandamentos divinos. Há dados seculares que referem a importância e as consequências que uma pessoa poderia vir a sofrer nas mãos destes tradicionalistas por não lavar as mãos antes das refeições. Esta tradição era puramente humana e nada tinha a ver com os mandamentos de Deus.

O orgulho era tal, que tais pessoas confiavam em sua génese abraãmica para assim serem chamados filhos de Deus (Jo.8.32,33,39-42), como se para ser filho de Deus fosse uma questão puramente genética ou hierárquica, ou esta filiação a Deus passasse de geração em geração como acontecia com as suas vãs tradições.

Paulo a este respeito menciona o facto de não ter consultado “a carne e o sangue” a respeito da sua salvação, o que indica uma posição e decisão pessoal sendo que as tradições nenhuma contribuição deram no sentido de ele sentir ou gozar a salvação na pessoa de Jesus Cristo (Gl.1.15,16).

Não são raras as vezes que quando se fala a alguém para ouvir o Evangelho nos apresentam esta “declaração de fé”: «O meu pai e a minha mãe já eram e seguiam o que eu sigo, não vou agora sacrificar as minhas tradições».


Paulo, Um Exemplo Tradicionalista
Não há dúvida que Paulo era extremamente zeloso das tradições de seus pais, como ele mesmo afirmou (Gal. 1.14). Ele era descendente de uma família hebraica tradicional (2Cor.11.22). Foi ensinado por Gamaliel, um mestre renomado (At.22.3).

Zelo é algo que revela um comprometimento de uma pessoa com ou por uma causa. Este zelo poderá ser positivo ou negativo. Paulo diz que os seus irmãos judeus (assim como ele no passado), tem zelo de Deus mas este zelo é sem entendimento revelando também a necessidade de Israel se converter a Cristo(Rm.10.1,2).

Neste zelo, ele chegava a perseguir a Igreja de Jesus Cristo sobremaneira, inclusive assistiu à morte de Estevão consentido com a mesma, o que daí se subentende que ele teria autoridade para fazer parar tal ataque de morte mas não o fez, e isto em nome da tradição (At.7.58, 8.1; 9.1; 22.4,5, 1Cor.15.9, Gl.1.13, 1Tm.1.13).

Jesus chega a dizer aos seus discípulos, que eles seriam perseguidos e mortos e que os que lhes fizessem tal mal, pensariam fazer um serviço a Deus (Jo.16.2). Não há dúvida que Paulo se apresentava de tal forma extremista defensor das suas tradições judaicas, que também perseguia e matava em nome de Deus e no seu zelo.
Não há dúvida que já houve e continua a haver massacres e até verdadeiros genocídios em nome da defesa das tradições podendo ser estas religiosas ou não.

Paulo tinha várias coisas positivas que tradicionalmente e humanamente lhe oferecia alguma segurança, vemos este quadro descritivo em Flp.3.4-6:
  • Era circuncidado ao oitava dia
  • Era da linhagem de Israel
  • Pertencia à tribo de Benjamim
  • Era hebreu de pais hebreus
  • Era fariseu
  • Era zeloso e neste zelo perseguidor da Igreja (como já mencionado)
  • Segundo a Lei, irrepreensível
Todas esta honras elevadamente cobiçadas, depois de ele ter um encontro com Cristo a caminho de Damasco, e de ter uma conversão de coração alma e vida passa a ter uma visão completamente divergente, afirmando: “O que para mim era ganho reputei-o por perda por Cristo…e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo” Flp.3.7,8b

Paulo estava defendendo o judaísmo, que não foi inventado por homem algum mas sim dado pelo próprio Deus a Moisés, porém ele diz que foi salvo não pela justiça da lei, mas sim pela justiça que provém da fé em Cristo (Flp.3.9). Assim sendo, Paulo estava rompendo em certa medida com uma tradição com cerca de 1500 anos, desde que a Lei fora dada a Moisés.

Nem Tudo é Mau, Mas...
Há tradições que são boas e estas devem ser conservadas, não há dúvida (2Tess.2.15; 3.6)
Todos nós somos proprietários de tradições na nossa vida e no nosso quotidiano porém cometemos pecado quando nos agarramos às mesmas como sendo tábua de salvação e pior – queremos impingir também aos outros, levando-os a crer se assim não fizerem, já estão condenados ao fogo do inferno!

Confiarmos nas tradições poderá assemelhar-se a nós pensarmos e estarmos convictos que algo está limpo em nossa casa porém ao entrar a luz do sol incidindo sobre determinado objecto, concluímos  quantas partículas de sujidade esta ainda possui. Assim é nossa vida enquanto estivermos longe da luz – Cristo, jamais nos iremos aperceber quão sujos estamos, e outrora até pensávamos que não! Como diz um hino: «Deixa penetrar a luz».

Em Isaías 29.13 diz: “…Pois este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” 
Ora isto não é mais do que tradições que vão passando de geração em geração sem que cada pessoa sinta realmente o que está a fazer, ou seja, tudo o que sabem e aprendem é de forma mecânica e logicamente que Deus sentia e sente esta frieza por parte das pessoas. 
A tradição leva-nos a nós não adorarmos e buscarmos a Deus de forma racional, como assim Ele deseja (Rm.12.1).


Prezado amigo e irmão, tens vivido e agido como um tradicionalista ou és salvo?

Você é Praticante de Boas Obras ou é Salvo?

Pedro em casa de Cornélio
Ilustração de Gustave Doré

A posição das obras na vida do homem no que respeita à salvação, sempre foi ao longo dos séculos da era cristã e julgo que continua a ser, palco de grandes debates e controvérsias.
O exemplo bíblico que tomarei em conta será de um homem chamado Cornélio. Sua história é narrada no capítulo 10 de Actos dos apóstolos. Era também um homem de estatuto elevado, era um centurião romano, centurião da corte chamada italiana, ou seja, ele tinha sob sua autoridade, o comando de 100 soldados. Talvez fosse um prosélito, ou seja, um homem convertido ao Judaísmo, havendo contudo nisto algumas divergências, quanto a isto ser assim ou não.

Este homem possuía uma série de virtudes e práticas de vida bastante honrosas, mas como veremos, estas não foram suficientes para lhe garantir a salvação de sua alma. Eu não tenho dúvidas olhando para a história e modelo de vida deste homem, que apesar de não ter conhecimento da salvação em Cristo, praticava muitas coisas que muitos de nós não o faz, ou ficamos muito aquém.

Vejamos algumas destas obras registadas:
  1. Era piedoso Act. 10.2
  2. Era temente a Deus. Não somente ele era, mas também levava a sua família e seus soldados a sê-lo. Act.10. 2,7, 24

  3. Era generoso para com os pobres. Fazia muitas esmolas ao povo, ou seja, pensava no seu próximo At.10.2
  4. Orava a Deus continuamente e jejuava Act.10.2,30
  5. Era varão justo Act.10.22
  6. Dava bom testemunho entre a nação dos judeus v.22
Perante tamanha lista de virtudes, quem de nós ousaria dizer se Deus não nos mostrasse pela Sua Palavra que este homem não era salvo?
A palavra de Deus mostra que ninguém merece o céu por sua bondade ou por aquilo que obra, mas sim pela bondade e misericórdia de Deus e por aquilo que Jesus já fez na cruz do calvário. Cornélio, assim como talvez pessoas que conheçamos são bastante generosas, sempre vivem com um grande sentimento filantrópico, vivendo em ajudar ou outros, sem daí querer tirar proveito pessoal, ajudam despidas de interesses egoístas, espécie esta de pessoas que hoje também diga-se de passagem já se encontra em vias de extinção. Porém e embora, humanamente não nos pareça coerente, a bíblia afirma que nada disto dá acesso, ou nos cativa um lugar no céu junto de Deus.

É comum ouvirmos pessoas dizerem que merecem o céu porque conhecem outros piores do que ele. Diz a palavra de Deus: “…não há quem faça o bem, não há nem um só” (Rm.3.12). Podemos pois correr o risco de querer “fabricar” a nossa salvação com nossas obras.

Na verdade fazer boas obras é algo bastante contemplado e apreciado por Deus, e isto também se vê na forma como Deus dá testemunho do próprio Cornélio, através de um anjo, quando diz: ”As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de Deus.” (At.10.4b) Assim sendo nos interrogamos: Se as obras fossem a base para adquirir a Salvação, porquê este homem, não era já salvo? Não há dúvida que há um passo primário a dar, para assim tudo aquilo que possamos fazer, se possa enquadrar dentro da Salvação.

É interessante que no Sermão do monte, descrito em Mateus 6 Jesus apresenta 3 coisas que faziam já parte da vida de Cornélio de uma forma correcta, antes mesmo de aceitar Jesus pela fé. São estas:
1) Esmolas Mt.6.2-4
2) Oração verss.5-8
3) Jejum verss.16-18

A palavra de Deus nos mostra em Efésios 2.1 que anteriormente à salvação estávamos “mortos em ofensas e pecados”. Se assim é, como pois alguém que está morto diante de Deus pode fazer algo para se salvar?

Este tipo de morte deve ser encarado não como uma posição fatalista ou determinante, a menos que, este seja o caminho que escolhamos para nós. A expressão morte na Bíblia, em determinadas passagens (assim como esta) assume uma posição de separação de Deus, causada pelas tais “ofensas e pecados” e não como algo para sempre irremediável. Em Isaías 59.2 diz: “As vossas iniquidades fazem separação entre vós e Deus”. Isto indica que nós estamos separados (mortos), mas não estamos de todo destruídos, pois ainda nos resta a possibilidade de aceitarmos a obra de Cristo em nossas vidas. Como alguém afirmou: «A imagem de Deus nos seres caídos está desfigurada, mas não apagada».

É necessário primeiro estar em Cristo, ser uma nova criatura, como nos indica 2Cor.5.17 em que as coisas da velha vida fazem parte do passado, assim sendo dá-se a vivificação em Cristo (Ef.2.5) para que depois sim, mediante esta nova vida executar algo bom, não para se ter vida (salvação) mas porque já se tem vida (salvação).

O texto de Efésios 2.8 apresenta-nos 2 pontos importantes a salientar:
1) Deus oferecendo Salvação (dom) ao homem por meio de Sua graça - Cristo

2) O homem estendendo a mão por meio da fé, crendo

No versículo 9, diz que esta salvação: “não vem das obras”, e porquê? Temos a resposta: “para que ninguém se glorie”. Não há dúvida que devemos reconhecer que somos bastante tendenciosos a gloriarmo-nos naquilo que fazemos e até nos podemos gloriar em matéria de coisas seculares, porém no que diz respeito à Salvação, Deus não dá ao Homem esta possibilidade.

Muitos vivem cansados porque vivem executando tanta coisa na convicção de que, naquilo que fazem, está o alívio, a salvação para sua alma. Cristo convida aos cansados e promete o alívio para suas vidas (Mt.11.28). Que mais carrega e escraviza o homem senão seus próprios pecados e a tentativa interior de se livrar deles?

Numa parábola que Jesus contou, (Lc.18.11,12) Ele apresenta um fariseu a gloriar-se dizendo: “Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens…” e seguidamente apresenta suas obras, como prova de sua justificação, dizendo: “Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo”.
A questão não passa por aquilo que ele faz, como sendo algo incorrecto, porque não é, mas sim a intenção com que faz. Diz que Jesus contou esta parábola “a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros” vers.9. A parábola continua dizendo que este homem que falou desta forma não foi justificado diante de Deus. vers. 14

Alguém afirmou: «A macieira não dá maçãs para ser macieira mas sim porque esta o é em sua natureza».
Assim e deste mesmo modo as obras não devem surgir em prole de uma futura salvação mas sim porque esta é a nossa natureza já neste mundo, e porque já experimentamos o novo nascimento por meio de Cristo.

Sobre a não necessidade das obras para a Salvação temos o exemplo do ladrão arrependido, crucificado ao lado do Salvador. Que obras ele fez para merecer a Salvação e ter naquele mesmo momento a bendita promessa da boca de Jesus, de que: “Hoje estará comigo no paraíso!?” Afinal nada podia fazer, estando de mãos e pés pregados.

Tantas pessoas pelo mundo afora que se dedicam a peregrinações, às mais variadas penitências, às esmolas e doações, a suplícios corporais mortificando seus corpos (ascetismo), tudo com o propósito de ganhar um lugar no céu. Muitos são os exemplos.

Há bem pouco tempo ouvi um testemunho de ex-sacerdote católico que seguiu  a vida eclesisástica  na tentativa de encontrar a salvação. Ele chegava a colocar até pedras em seus sapatos para assim sofrer pela sua salvação, ele evitava cobrir-se nas noites mais frias para que assim seu corpo sofresse, ele chicoteava-se assim que constatava sua ignorância perante seus superiores - Tudo pela SALVAÇÃO.

Também algumas pessoas fazem caminhadas, entenda-se a pé, desde a Alemanha para um conhecido “santuário” em Espanha.

Uma outra pessoa, um português, no mês de Outubro de 2009, creio eu, começou uma caminhada do norte de Portugal em direcção a Israel - Jerusalém, à Terra Santa, parece-nos impensável, mas é verdade. Uma caminhada que durará cerca de 10 a 12 meses. Tudo isto com um alvo, disse a pessoa: «Para se encontrar com Deus e consigo próprio.»
A mulher samaritana também tinha dúvidas quanto ao lugar geográfico em que se deveria adorar a Deus, ter um encontro com Ele ao que Jesus responde: “os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (Jo.4.23), ou seja, o problema não está em nossa posição geográfica para encontrar Deus mas sim em nossa posição de coração e vida.

Ora a palavra de Deus diz que não há outra forma de nos chegarmos a Deus a não ser por meio de Cristo. Jesus afirmou: “Ninguém vem ao Pai, se não por mim” (Jo.14.6). Isto foi dito ao discípulo Filipe que também tinha o interesse de ver Deus Pai, compreendemos então que este desejo de ver Deus não é algo novo, inclusive Moisés demonstrou este mesmo desejo (Ex.33.18-20). Jesus disse a Filipe que quem O visse(a Jesus) via o Pai.
Jesus não veio encurtar distâncias para o céu, Ele não é uma alternativa para chegar a Deus; Para o céu não se aplica o pensamento popular que: «todos os caminhos vão dar a …» Jesus Ele é O caminho, e é a única forma de termos um encontro com Deus e posteriormente connosco próprios. Ele é a expressa imagem de Deus (2Cor.4.4, Cl.1.13-15)

Em Tito 3.5,7 aponta para a impossibilidade e ineficácia de adquirir a justificação mesmo diante de nossas “obras de justiça”, mas sim somos justificados pela Sua (de Deus) graça. No mesmo sentido Paulo esclarece aos Romanos 3.24 dizendo: “Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”. E no versículo 27 revela que o nosso orgulho, nossa jactância é excluído não pela lei das obras mas sim pela lei da fé, pois se dependesse das obras da Lei haveria certamente muito orgulho de nossa parte.

As nossas melhores obras realizadas no sentido de “comprar a Salvação”, são como trapos de imundícia aos olhos de Deus (Is.64.6). Enquanto este for nosso propósito estamos a dizer a Deus: «Sinto muito mas a Salvação na pessoa de Jesus e Seu sacrifício na cruz não chega para a minha salvação». Sempre estamos achando que o plano de Deus foi imperfeito e é incapaz de nos salvar e vivemos a acrescentar coisas à obra do Calvário.

A palavra de Deus demonstra que não há nada que pode pagar a salvação de uma só alma pois esta vale mais que o mundo inteiro (Slm.49.6-8, Mt.16.26). Então, assim sendo, como podemos pensar em construir um “fundo” de boas obras para adquirir a mesma? Há apenas uma obra que nos justifica – A fé em Cristo (Rm.4.4-7).

Fazer o melhor possível, não é suficiente não chega, para adquirirmos a Salvação. Pois conscientemente nenhum de nós consegue atingir a perfeição em qualquer coisa que faça. Portanto, confiarmos no nosso melhor é confiarmos em nossa imperfeição.

Deus não ignora as boas obras (Ecl.12.14, Tt.2.14; 3.14), como vemos em Cornélio, porém não podemos colocar estas em substituição à obra perfeita, acabada que Cristo realizou por nós. Se assim não fosse, achamos pois necessário a vinda de Cristo a este mundo para dar Sua vida na cruz do Calvário?
É certo que se dependesse exclusivamente de nós, não faz qualquer sentido tanto sofrimento pelo qual o Filho de Deus passou.
Amigo, irmão onde na verdade se tem fundamentado a salvação da tua alma, porventura naquilo que tens realizado ou única e exclusivamente na cruz de Cristo?

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Você é Religioso ou é Salvo? Nasceu de Novo?


O Homem desde sempre foi inclinado a criar religiões, a procurar religiões e a tornar-se religioso.
O exemplo que nos servirá de suporte para esta perspectiva encontram-mo-lo em Nicodemos, onde grande parte de sua história está registado no evangelho de João capítulo 3.
Não sabemos muito acerca deste homem contudo, sabemos o essencial para também para nossa vida particular, tirarmos lições especificamente agora, nesta área da religião.

O nome Nicodemos significa: Vitorioso ou conquistador entre o povo. Nicodemos era fariseu. O farísaismo descrito em termos gerais era uma ala religiosa, e o nome fariseu significa: separado. Esta separação “moral” e física consistia mesmo em relação a muitos judeus. Era uma classe religiosa que determinava grande rigor para a vida de seus seguidores, eram bastante minuciosos na observância da Lei e outras leis criadas por eles próprios, não deixando de haver neste rigor também exageros e extremismos.
Nicodemos era também membro do Sinédrio: um tribunal que sentenciava questões civis e religiosas, apenas não possuindo, segundo a lei, poder para mandar executar pessoas, e isto é visto quando pedem a morte de Jesus a qual é decretada, depois de muito custo e indecisões por Pilatos (Jo.18.31).
O Sinédrio era constituído por 70 homens reconhecidos e escolhidos a pormenor. O Sinédrio e os fariseus procuraram desde cedo muitas formas para encontrar justificativas para a morte de Jesus (Mt.26.59, Mc.15.1, Jo.11.47)

Esta personagem, Nicodemos, segundo as Escrituras, foi encontrar-se de noite com Jesus (Jo.3.2a). Talvez possamos encarar como propositada esta atitude para que ninguém o visse e posteriormente o desconsiderassem, já que, Nicodemos era uma pessoa com um “status” social e religioso elevado.

Este mesmo homem que foi inicialmente ter com Jesus de noite, vemo-lo mais tarde, a defender Jesus perante os principais dos sacerdotes e os da sua própria classe religiosa, quando alguns do farisaísmo diziam: “Creu porventura algum dos principais e fariseus?” (Jo.7.48,32,50-52).

É importante também destacar que foi Nicodemos e José de Arimateia que foram pedir a Pilatos o corpo de Jesus, afim de O sepultarem e isto acontece quando até, por parte dos próprios discípulos, Jesus foi abandonado (Mt.26.31,56, Jo.19.38,39)

A que se deve pois tal mudança de carácter e de vida?
Algo de extraordinariamente relevante tinha que ter acontecido para que um homem que primeiramente se encontra com Jesus, escondendo-se por detrás da noite, agora enfrenta até o próprio Pilatos e os demais religiosos. Não há dúvida que depois daquele encontro nocturno, muita coisa mudou na vida deste homem religioso - Nicodemos.
O próprio José de Arimateia também cria em Jesus Cristo, porém o fazia de forma também oculta por causa dos judeus Jo.19.38. José também era membro do Sinédrio ou senado. (Mc.15.43)

Naquele encontro não há dúvida que Nicodemos reconheceu a superioridade de Jesus, pois O chama de Rabi o mesmo é: Mestre Jo.1.38. Este era um estatuto elevado entre os judeus. E segundo entende-se de Mt.23.1,2,7,8 era por muitos procurada tal distinção, ao que o verdadeiro e Único Mestre – Jesus Cristo condena tal atitude, a de uma procura incessante de tais honras diante dos homens. Muitos dos principais religiosos não confessavam publicamente sua fé em Cristo, porque isto implicava uma perda de glória diante dos homens, como vemos em João 5.44; 12.42,43. Nicodemos não era de maneira nenhuma um ignorante quanto à aplicação deste distintivo – Mestre. Não há dúvida que ele reconhece e vê algo extraordinário em Jesus para o chamar e considerar de tal forma.

Ele reconheceu a origem de Jesus, pois diz: “...bem sabemos que és vindo de Deus” e isto porque: ”... ninguém pode fazer estes sinais se Deus não for com ele.” (Jo. 3.2b). Quanto à importância dada a estes sinais lemos em Jo.2.23 que muitos passaram a crer em Jesus pelos sinais que Ele fazia. Havia uma tradição judaica que apelava a qualquer judeu, a pedir sinais para que determinada individualidade pudesse ser considerada e aceite com distinção, funcionava quase como um controle de qualidade da pessoa. Se atentarmos para 1Cor.1.22, Paulo afirma exactamente este princípio ”...os judeus pedem sinal...”.

Além destes sinais que Jesus fazia, Ele ensinava não como os demais religiosos mas investido de autoridade, certamente Nicodemos também reconhecia esta autoridade invulgar, esta irrepreensibilidade. (Mt.7.28,29)

Nicodemos estava religiosamente habituado, ao que podemos chamar de ritualismos, daí tal admiração quanto aos sinais realizados por Jesus. Nicodemos sabia que, para alguém fazer parte de determinada elite ou grupo religioso, tal como o farisaismo, do qual ele fazia parte, era necessário como prova, sinais de vida exteriores, as tais regras minuciosas acima mencionadas, porém Jesus apresenta-lhe um sinal interior indispensável para fazer-se parte da “elite” do reino de Deus: Nascer de novo, nascer da água e do Espírito. (Jo.3.5)

Jesus não diz como isso se processa antes apresenta como ilustração o caminho ou a rota do vento, onde não se sabe “…donde vem nem para onde vai…” (Jo.3.8) mas sentimos sua influência sobre nossos corpos. Assim é aquele que nasce de novo. O importante não é saber como isso se processa mas sim, sentir isto dentro de nós, como um verdadeiro milagre de Deus em nós. Isto é certo que nenhuma religião pode nos conceder.

A este sinal interior do novo nascimento Nicodemos mostra-se de todo ignorante, porém interessado, e avança com outra pergunta: Como pode um homem nascer sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?” (Jo.3.4).
Talvez se possa deduzir que Nicodemos fosse já de uma idade considerável, mas mesmo assim, sendo um ancião, praticado na religião, desconhecia este mistério do novo nascimento, pois Jesus o chamou à razão e fá-lo pensar na sua ignorância dizendo: “Tu és mestre em Israel e não sabes isto?” (Jo.3.10)

Se Nicodemos era mestre em Israel, sendo portanto um líder religioso e mesmo assim possuía um entendimento tão longe das realidades que Cristo estava apresentando, pensemos como não seria a condição do povo em geral naqueles dias? Estava com certeza como nos mostra em Mateus 4.16 que diz: “... o povo que estava assentado em trevas” fazia-se pois necessário que, a luz viesse ao mundo, contudo “os homens amaram mais as trevas do que a luz...” (Jo.3.19). Aqui está a maior condenação para qualquer Homem.

Diz em Eclesiastes 12.9 que quanto mais sábio o pregador, o líder, mais sábio tornar-se-à o povo. Portanto se Nicodemos sendo um mestre, que manuseava a Lei de Deus dada por Moisés, era um cego espiritual, então estamos perante o que diz as Escrituras: Um cego guiava outros cegos (Mt.15.14)

Ser religioso ou ter espírito de religiosidade não é sinónimo de salvação, esta muitas vezes passa apenas pelo ritualismo cerimonial e eclesiástico e pelo conformismo como já vimos que acontecia com Nicodemos e em nossos dias está aí.

Alguém afirmou o seguinte: O pecado deforma, a Filosofia reforma, a Religião conforma, a Lei informa mas Cristo transforma. É isso na verdade que precisamos de reconhecer. Tudo aquilo que passa ao lado de Cristo é mero entretenimento ou conformismo.

Muitas vezes a religião quando deturpada se torna uma camuflagem para muitas coisas nocivas e muitos males para quem dela faz uso. A palavra “religião” aparece apenas cinco vezes no Novo Testamento, e quatro delas traz um sentido negativo, a outra vem no sentido das boas obras dos cristãos. Jamais este termo é tido como sinónimo de Salvação.

Ser religioso ou pertencer a uma religião não significa que com isso acabamos de comprar a nossa entrada no céu ou para o céu.
A religião como disse alguém é o que leva mais pessoas para o inferno, convencidas que vão para o céu.

Existem alguns efeitos que a religião (entenda-se a falsa), e o espírito religioso pode provocar nas pessoas. Eis alguns:

a)Traz isolamento porque incute nas pessoas um sentimento de superioridade em relação aos que estão à volta Is.65.4,5.
Lembremo-nos o que significa fariseu – Separado. Podemos ver que Cristo veio trazer na Sua pessoa a união entre todos, ninguém em Cristo (ao contrário do que habitualmente acontece na religião) é superior a ninguém ou desprezado (Ef.2.14,16, Cl.3.11)

b)A religião leva as pessoas a pensarem que estão totalmente seguras (enquanto aí permanecerem), façam o que fizerem Jr.2.13,32-35

c)A religião leva as pessoas a viverem de aparência Is.58.2-4,6,7, Mt.6.2,5,16
A todos estes comportamentos é dado o nome de santimónia – conjunto de atitudes de quem finge ser devoto, ser santo. Comportamento que exagera numa religiosidade, hipocrisia religiosa, beatice, etc.

d)A religião desvia o culto, a adoração, a glória de Deus fixando-a nos homens Jo.8.50

e)A religião leva-nos a sermos bons oradores e maus praticantes Mt.23.3,4

Não há dúvida que a proliferação das religiões está cada vez mais acentuada, e quanto mais, maior confusão se instaura, porém não podemos esquecer, que Cristo não veio apresentar um modelo religioso a seguir mas sim, um modo de vida começando com o crer n´Ele para não ser condenado, mas tenha a vida eterna (Jo.3.15), como foi dito a Nicodemos.

A Nicodemos foi dito: Necessário te é nascer de novo, quem nascer de novo não pode ver o Reino de Deus, ou seja, em mais nada está fundamentada a nossa salvação se não em um novo nascimento.

Prezado amigo e leitor você é salvo ou é religioso? Aceite Cristo como Salvador e não uma religião para o salvar.

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