Certo dia travei uma conversa com uma pessoa, que acabara de vir, ao que parece, maravilhada d'um culto. Dizendo mais ou menos assim:
- "O culto hoje foi uma benção".
Então pensei eu, ignorantemente, e retruquei:
- "Sobre o que foi que o pastor pregou?"
A pessoa olhou para mim, quase como surpreendida pela pergunta, como se a pergunta não fizesse qualquer sentido naquela conversa, e respondeu:
- "Sobre a Bíblia". Soltando um leve sorriso nos lábios
Bom...nossa conversa ficou por aí.
Entendemos a gravidade da declaração?!
Pregar a Bíblia, é algo bonito de se ouvir, mas torna-se demasiadamente vasto, comparativamente aquilo que é o desejo de Deus para nós. Há pessoas que querem conhecer tudo sobre a Bíblia, mas nem se dão ao trabalho de estudar um versículo por dia.
Deu para perceber duas coisas, do exemplo relatado acima:
1) Ou a exposição foi do tipo: "Fast Food", ou
2) A pessoa que ouviu não estava "nem aí", para a Palavra
Creio até tratando-se de um caso que conheço pessoalmente, haja uma mescla dos dois pontos supracitados, ou seja: há pouco interesse na Palavra por parte de quem prega, assim como há um enorme desinteresse de quem ouve.
Então pergunto: O que houve de tão interessante naquele culto, para que tal pessoa o considerasse uma benção?
a) Provavelmente, houve "gritos de júbilo", muita festa, muito louvor, muito "mexe-mexe" e,
b) Não houve uma palavra de conscientização
Isto é deveras interessante perceber, na medida em que se não houver uma pregação expositiva, as pessoas certamente irão voltar seus olhos e colocar o foco do culto em outra coisa qualquer.
O que as pessoas hoje necessitam, como sempre necessitaram, é uma alternativa ao modus vivendi, uma contra-cultura à cultura, ao modo de vida do mundo e no mundo.
As pessoas precisam de uma mensagem de resgate e uma clara exposição e clarificação de suas posições diante do Deus Santo. É urgente que se grite bem alto: "Salvai-vos desta geração perversa." (Atos 2:40)
O Evangelho não passa por um questão de sentir-me bem ou mal, muito antes pelo contrário; quando recebo a Palavra ela deverá sempre vir no sentido correctivo, instrutivo e preventivo.
A Palavra de Deus nos foi conferida afim de preencher a lacuna da falta de conhecimento que nós, humanos, temos de Deus:
"Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;" (II Timóteo 3:16)
As pessoas não têm encontrado uma satisfação nas Escrituras, porque dela não se alimentam. Isto é óbvio e fácil de entender. Não porque as Escrituras não tenha poder para as satisfazer.
As ovelhas estão magras e conseguem(por vezes) perceber isto, porém nem sequer se dão ao trabalho de comer. Está faltando, não apenas um compromisso da Igreja para com a Palavra, mas acima de tudo um compromisso pessoal em nossa vida devocional e em nossas casas como família.
Se olharmos para os Evangelhos, iremos perceber quanto tempo de seu curto ministério, Jesus "gastou" a pregar e a ensinar as pessoas. Lucas refere isto:
"FIZ o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo o que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar," (Atos 1.1)
A Igreja Primitiva, percebeu a importância da pregação:
"Como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar, e ensinar publicamente e pelas casas," (Atos 20:20)
"E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo." (Atos 5:42)
Muitas vezes colocamos os nossos olhos nos milagres que eram realizados na Primitiva Igreja, porém o segredo está em que eles "todos os dias...não cessavam de ensinar". Isto acontecia em qualquer lugar - No templo ou nas casas particulares. Eles remiam o tempo (Ef. 5.16)
É triste constatarmos que haja uma ignorância tão grande das Escrituras e as pessoas ainda são capazes de soltar um sorriso. Esta ignorância não passa por não ter oportunidade de esclarecimento ou de aprendizagem, mas simplesmente porque desejam continuar assim. Nunca a Palavra de Deus foi tão promulgada e espalhada, não concorda?
Tais pessoas não são capazes de serem diligentes quanto à vida espiritual, como o são em termos físicos e materiais, no entanto a Palavra de Deus nos alerta:
"Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor;" (Romanos 12.11)
Atentemos para a seguinte passagem:
30 E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês? 31 E ele disse: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse. (Atos 8.30,31)
O Eunuco não sabia, mas demonstrou interesse em conhecer mais da Palavra de Deus. É isso que está faltando em nossos dias - Interesse pela Palavra de Deus.
Vejo nesta passagem, como em tantas outras, um interesse de Deus em revelar-se a todo aquele que O Deseja conhecer mais e mais. O nosso problema não é falta de meios para conhecer, mas FALTA DE INTERESSE.
O Foco da Ignorância
Em países ditatoriais e comunistas havia um grande desejo de manter o povo na ignorância, para que assim este fosse controlado mais facilmente e creio que é isto que está acontecendo dentro de muitas congregações. Ao contrário daquilo que Salomão disse:
"E, quanto mais sábio foi o pregador, tanto mais ensinou ao povo sabedoria..." (Eclesiastes 12:9).
Será mesmo que tais líderes religiosos, também vivem na ignorância das coisas espirituais e assim fazem jus ao ditado: "Quem dá o que tem a mais não é obrigado" ? Isso não são críticas senão constatações daquilo que apreendemos.
Creio ser de Spurgeon a seguinte afirmação: Já é tempo de deixar de entreter os bodes e alimentar as ovelhas"
"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim." (Atos 17.11)
Será que somos dos tais que simplesmente contenta-se em dizer que o culto foi uma bênção e nem sequer temos consciência da importância da Palavra no culto a Deus?
Seja bereano vá à Palavra, beba da Palavra, coma da Palavra, VIVA DA PALAVRA
Dica de Leitura(Artigo no Genizah):
9 Marcas de Uma Igreja Saudável, Mark Dever, Editora Fiel
Se deseja conhecer um pouco sobre este livro, aceda ao site Bom Caminho