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[Reflexão] Uma Borboleta, Um Botânico Ou Uma Abelha


Um homem que olhou pela janela de sua casa, para um lindo jardim, cheio de plantas e flores, pude constatar três coisas:
Primeiro ele viu uma bela borboleta, que flutuava entre as flores, pousando por apenas alguns segundos em cada flor antes de prosseguir. Ela tocava em muitas flores, mas não tirava nenhum benefício delas.

Em seguida o homem viu um botânico, com um bloco de notas debaixo do braço e uma lente de aumento na mão. O botânico se inclinava sobre uma flor por um longo tempo, observando-a através da lente de aumento e fazendo muitas anotações no bloco. Ele ficou ali por horas, estudando as flores e escrevendo. Finalmente, fechou o bloco, colocou a lente no bolso e se afastou.

O terceiro visitante do jardim florido foi uma pequena abelha. Ela pousava numa flor e ia fundo, extraindo todo o néctar que era capaz de carregar. A cada flor que visitava, a abelha chegava vazia e saía carregada.

O Que Pregaram? A Bíblia(risos)!

]Fonte[
Certo dia travei uma conversa com uma pessoa, que acabara de vir, ao que parece, maravilhada d'um culto. Dizendo mais ou menos assim:
         - "O culto hoje foi uma benção".
Então pensei eu, ignorantemente, e retruquei:
         - "Sobre o que foi que o pastor pregou?"
A pessoa olhou para mim, quase como surpreendida pela pergunta, como se a pergunta não fizesse qualquer sentido naquela conversa, e respondeu:
         - "Sobre a Bíblia". Soltando um leve sorriso nos lábios
Bom...nossa conversa ficou por aí.

Entendemos a gravidade da declaração?!
Pregar a Bíblia, é algo bonito de se ouvir, mas torna-se demasiadamente vasto, comparativamente aquilo que é o desejo de Deus para nós. Há pessoas que querem conhecer tudo sobre a Bíblia, mas nem se dão ao trabalho de estudar um versículo por dia.

Deu para perceber duas coisas, do exemplo relatado acima:
1) Ou a exposição foi do tipo: "Fast Food", ou
2) A pessoa que ouviu não estava "nem aí", para a Palavra

Creio até tratando-se de um caso que conheço pessoalmente, haja uma mescla dos dois pontos supracitados, ou seja: há pouco interesse na Palavra por parte de quem prega, assim como há um enorme desinteresse de quem ouve.

Então pergunto: O que houve de tão interessante naquele culto, para que tal pessoa o considerasse uma benção?
a) Provavelmente, houve "gritos de júbilo", muita festa, muito louvor, muito "mexe-mexe" e, 
b) Não houve uma palavra de conscientização

Isto é deveras interessante perceber, na medida em que se não houver uma pregação expositiva, as pessoas certamente irão voltar seus olhos e colocar o foco do culto em outra coisa qualquer.
O que as pessoas hoje necessitam, como sempre necessitaram, é uma alternativa ao modus vivendi, uma contra-cultura à cultura, ao modo de vida do mundo e no mundo.
As pessoas precisam de uma mensagem de resgate e uma clara exposição e clarificação de suas posições diante do Deus Santo. É urgente que se grite bem alto: "Salvai-vos desta geração perversa."  (Atos 2:40)

O Evangelho não passa por um questão de sentir-me bem ou mal, muito antes pelo contrário; quando recebo a Palavra ela deverá sempre vir no sentido correctivo, instrutivo e preventivo.
A Palavra de Deus nos foi conferida afim de preencher a lacuna da falta de conhecimento que nós, humanos, temos de Deus:
"Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;"  (II Timóteo 3:16)

As pessoas não têm encontrado uma satisfação nas Escrituras, porque dela não se alimentam. Isto é óbvio e fácil de entender. Não porque as Escrituras não tenha poder para as satisfazer.
As ovelhas estão magras e conseguem(por vezes) perceber isto, porém nem sequer se dão ao trabalho de comer. Está faltando, não apenas um compromisso da Igreja para com a Palavra, mas acima de tudo um compromisso pessoal em nossa vida devocional e em nossas casas como família.
Se olharmos para os Evangelhos, iremos perceber quanto tempo de seu curto ministério, Jesus "gastou" a pregar e a ensinar as pessoas. Lucas refere isto:

"FIZ o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo o que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar," (Atos 1.1)
A Igreja Primitiva, percebeu a importância da pregação:
"Como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar, e ensinar publicamente e pelas casas,"  (Atos 20:20)
"E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo."  (Atos 5:42)

Muitas vezes colocamos os nossos olhos nos milagres que eram realizados na Primitiva Igreja, porém o segredo está em que eles "todos os dias...não cessavam de ensinar". Isto acontecia em qualquer lugar - No templo ou nas casas particulares. Eles remiam o tempo (Ef. 5.16)
É triste constatarmos que haja uma ignorância tão grande das Escrituras e as pessoas ainda são capazes de soltar um sorriso. Esta ignorância não passa por não ter oportunidade de esclarecimento ou de aprendizagem, mas simplesmente porque desejam continuar assim. Nunca a Palavra de Deus foi tão promulgada e espalhada, não concorda?
Tais pessoas não são capazes de serem diligentes quanto à vida espiritual, como o são em termos físicos e materiais, no entanto a Palavra de Deus nos alerta:
"Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor;" (Romanos 12.11)

Atentemos para a seguinte passagem:
30 E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês? 31 E ele disse: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse. (Atos 8.30,31)
O Eunuco não sabia, mas demonstrou interesse em conhecer mais da Palavra de Deus. É isso que está faltando em nossos dias - Interesse pela Palavra de Deus.
Vejo nesta passagem, como em tantas outras, um interesse de Deus em revelar-se a todo aquele que O Deseja conhecer mais e mais. O nosso problema não é falta de meios para conhecer, mas FALTA DE INTERESSE.


O Foco da Ignorância
Em países ditatoriais e comunistas havia um grande desejo de manter o povo na ignorância, para que assim este fosse controlado mais facilmente e creio que é isto que está acontecendo dentro de muitas congregações. Ao contrário daquilo que Salomão disse:
"E, quanto mais sábio foi o pregador, tanto mais ensinou ao povo sabedoria..."  (Eclesiastes 12:9).

Será mesmo que tais líderes religiosos, também vivem na ignorância das coisas espirituais e assim fazem jus ao ditado: "Quem dá o que tem a mais não é obrigado" ? Isso não são críticas senão constatações daquilo que apreendemos.
Creio ser de Spurgeon a seguinte afirmação: Já é tempo de deixar de entreter os bodes e alimentar as ovelhas"
"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim." (Atos 17.11)

Será que somos dos tais que simplesmente contenta-se em dizer que o culto foi uma bênção e nem sequer temos consciência da importância da Palavra no culto a Deus?

Seja bereano vá à Palavra, beba da Palavra, coma da Palavra, VIVA DA PALAVRA


Dica de Leitura(Artigo no Genizah):
9 Marcas de Uma Igreja Saudável, Mark Dever, Editora Fiel
Se deseja conhecer um pouco sobre este livro, aceda ao site Bom Caminho


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Lendo a Bíblia Como Obra Literária. I Parte


Gostaria de realçar neste e em mais dois artigos posteriores, três formas de olharmos para este livro, ao qual deu-se o nome de Bíblia, basicamente pelos 66 livros que o constituem, formando assim um único livro, transmitindo a idéia de ser também uma mini-biblioteca.

Este Livro é amado por alguns, odiado por outros e ignorado por muitos

UM OLHAR LITERÁRIO
Ao achegarmo-nos à Bíblia desta forma, com este olhar, não é de maneira nenhuma alguma profanação ou sacrilégio(acto de profanar coisas santas), antes muito pelo contrário, porém é necessário realçar que esta não é de forma nenhuma, o desejo primário de seu Autor- Deus, pois como em outro artigo veremos há neste livro benefícios muito mais excelentes do que lê-lo apenas e só, numa perspectiva literária.
Como boa obra literária que é, há necessidade de realçarmos e evidenciarmos algumas coisas que provam nesta área a excelência deste livro. Assim temos:

a) Como boa obra literária, contém um apelo universal
Não se restringe apenas a uma cultura, a um povo, a uma etnia, mas é uma obra que todos podem ler. Sendo assim tão abrangente, poder-se-à dizer que tanto fala a um só indivíduo, como a toda a humanidade, ou seja, tem tanto de particular quanto geral. Isto é depreendido principalmente nos escritos neotestamentários, ou seja, na secção dos Livros do Novo Testamento, não retirando de maneira nenhuma ao Antigo Testamento, seu valor e importância.

b) Como boa obra literária, é simples e compreensível na maioria de suas passagens
Sua escrita é bastante fluida para que todos que a lêem a possam entender. Isto não significa que nós entenderemos tudo, pois também “há pontos difíceis de entender”, como nos afirma a própria Escritura(2Pd.3:16). Porém o mesmo acontece em todas as grandes obras literárias. Isto deve-se essencialmente a possuirmos um conhecimento limitado da obra tanto no sentido social como cultural da época e assim sendo desconhecemos muitos pormenores do ambiente envolvente aquando esta foi escrita. Isto no entanto, jamais a priva de sua simplicidade.

c) Como boa obra literária, é rica na sua constituição gramatical
Como grande obra literária, encontramos grandes ensinamentos em termos de figuras de estilo, que perfeitamente se encaixam no ensino e na riqueza de nossa língua lusitana. Evitando entrar em suas explicações e próprias referências Bíblicas, pois este não passa por ser meu particular objectivo, passo a enumerar algumas das muitas figuras de estilo:
Metáforas, hipérboles, ironias, prosopopeia ou personificação, parábolas, antíteses, alegorias, fábulas, enigmas, símbolos, pleonasmos, etc.
Como boa obra literária é também enriquecida por diversos estilos literários tais como: História de origens, história heróica, tragédia, drama, sátira, poesia, poema epitalâmio(poema ou hino nupcial), elegia(poema em que predomina a tristeza, por causa do amor ou morte), encómio(poema em louvor de uma qualidade ou sentimentos tais como: o amor e a sabedoria), provérbios, epístola, oratória, escritos visionários ou escatológicos, etc.

d) Como boa obra literária, está cheia de ensinamentos morais.
Isto em nossos dias realmente faz falta. Quando vemos tanta literatura a proliferar em nossa sociedade que incitam as pessoas, principalmente a juventude, a seguirem e a possuírem maus padrões de vida, entrando em situações por vezes de risco, obscuras e até satânicas. Se há um pensamento que diz que a pessoa é o que come, com certeza podemos fazer a devida aplicação ao tipo de literatura que habitualmente se lê. As leis morais reflectem as nossas atitudes para connosco e para com o nosso semelhante e estas também estão bem deturpadas como entendemos e vemos.
Um critico literário, Northrop Frye asseverou: “A Bíblia forma o estrato mais básico no ensino da literatura...”

É sabido e escrito que a base da constituição Americana no que refere ao sistema de educação foi baseado em padrões bíblicos. Estima-se que 87% das primeiras 119 faculdades fundadas nos EUA foram criadas por cristãos, com o fim de educar a juventude na fé cristã. Infelizmente este objectivo foi sendo pouco a pouco sacrificado em prol de outros interesses.

Ainda hoje nas Universidades portuguesas(e não sei, se só) no curso de Direito, os alunos são levados a estudar algumas leis bíblicas principalmente no livro de Deuteronómio. Logicamente quando falamos em estudar não é no sentido mais elevado, o espiritual, mas sim como uma obra que em si está recheada de bons princípios morais. Daí são “extraídas” as leis referentes ao cuidado do benefício do próximo. Também é estudada as leis do direito, as quais se assemelham muito aos dez mandamentos. É analisado também, muitos dos escritos de Paulo principalmente os incidentes sobre a lei Judaica. Estuda-se também a Lei, a transgressão e o devido castigo punitivo, onde há fortes bases, apoiando a nossa actual lei portuguesa.

Conta-se aquando de uma determinada visita de um embaixador africano à Inglaterra, sendo este apresentado à Rainha Vitória, (reinou 64 anos a partir de 1837, época de maior esplendor deste país), este fez-lhe uma pergunta encomendada de seu soberano: “Qual é o segredo do poder e do sucesso que seu país apresenta no mundo?”
A Rainha, então, pegando a Bíblia que estava sobre a sua mesa, respondeu: “ Diga ao Príncipe de seu país que este livro é o segredo da grandeza da Inglaterra”.

e) Como boa obra literária, assume em seu palco personagens reais, em cenários reais e em tempos reais.
Encontramos na Bíblia pequenas biografias de pessoas reais e quando digo isso, refiro-me a pessoas que apesar de serem consideradas grandes heróis na fé e não só, nestas biografias também são referidas suas fraquezas. E que fraquezas! Ao contrário das biografias pessoais que constantemente são editadas e que enchem as prateleiras das livrarias, onde de capa a capa é quase um país das maravilhas. Neste sentido penso que, qualquer semelhança com a realidade podemos dizer: É pura coincidência.

Quanto aos cenários, podemos dizer que todos aqueles que por exemplo, já foram a Israel ou até mesmo à Turquia, melhor do que ninguém podem atestar e asseverar isto. Embora certos nomes mudassem, o que é normal passados no mínimo quase 2000 anos, o lugar geográfico está lá como prova, nem que sejam umas simples pedras, elas ainda hoje dizem que a Bíblia é real e seu testemunho é verdadeiro.

Quanto ao tempo, mesmo a própria história secular, à parte da própria Bíblia pode confirmar que os tempos mencionados não são de maneira alguma abstractos, mas reais.

Isto sem dúvida é bastante estimulante para nós, como leitores, que facilmente podemo-nos identificar com tudo aquilo que estamos a ler.

Conclusão:
A Bíblia é considerada como um “best-seller” em termos de traduções e vendas. Segundo o que pude apurar está traduzida em mais de 1000 línguas incluindo dialectos. Alguém disse o seguinte: “A Bíblia é um livro escrito por quarenta pessoas, traduzido por centenas, impresso por milhares e lido por milhões.”

A Bíblia tem servido de inspiração a muitos outros escritores seculares, que em suas obras e para suas obras vão beber dela. Entre estes está o famoso inglês poeta e dramaturgo, autor do célebre romance Romeu e Julieta, William Shakespeare(1564-1616), onde em suas obras há imensas referências arrebatadas da Bíblia. Um escritor brasileiro poeta , filósofo e estudante de direito- Tobias Barreto (1839-1889) , afirmou: “A Bíblia é um modelo de tudo quanto é belo e bom...”