domingo, 20 de junho de 2010

Lendo a Bíblia Como Obra Literária. I Parte


Gostaria de realçar neste e em mais dois artigos posteriores, três formas de olharmos para este livro, ao qual deu-se o nome de Bíblia, basicamente pelos 66 livros que o constituem, formando assim um único livro, transmitindo a idéia de ser também uma mini-biblioteca.

Este Livro é amado por alguns, odiado por outros e ignorado por muitos

UM OLHAR LITERÁRIO
Ao achegarmo-nos à Bíblia desta forma, com este olhar, não é de maneira nenhuma alguma profanação ou sacrilégio(acto de profanar coisas santas), antes muito pelo contrário, porém é necessário realçar que esta não é de forma nenhuma, o desejo primário de seu Autor- Deus, pois como em outro artigo veremos há neste livro benefícios muito mais excelentes do que lê-lo apenas e só, numa perspectiva literária.
Como boa obra literária que é, há necessidade de realçarmos e evidenciarmos algumas coisas que provam nesta área a excelência deste livro. Assim temos:

a) Como boa obra literária, contém um apelo universal
Não se restringe apenas a uma cultura, a um povo, a uma etnia, mas é uma obra que todos podem ler. Sendo assim tão abrangente, poder-se-à dizer que tanto fala a um só indivíduo, como a toda a humanidade, ou seja, tem tanto de particular quanto geral. Isto é depreendido principalmente nos escritos neotestamentários, ou seja, na secção dos Livros do Novo Testamento, não retirando de maneira nenhuma ao Antigo Testamento, seu valor e importância.

b) Como boa obra literária, é simples e compreensível na maioria de suas passagens
Sua escrita é bastante fluida para que todos que a lêem a possam entender. Isto não significa que nós entenderemos tudo, pois também “há pontos difíceis de entender”, como nos afirma a própria Escritura(2Pd.3:16). Porém o mesmo acontece em todas as grandes obras literárias. Isto deve-se essencialmente a possuirmos um conhecimento limitado da obra tanto no sentido social como cultural da época e assim sendo desconhecemos muitos pormenores do ambiente envolvente aquando esta foi escrita. Isto no entanto, jamais a priva de sua simplicidade.

c) Como boa obra literária, é rica na sua constituição gramatical
Como grande obra literária, encontramos grandes ensinamentos em termos de figuras de estilo, que perfeitamente se encaixam no ensino e na riqueza de nossa língua lusitana. Evitando entrar em suas explicações e próprias referências Bíblicas, pois este não passa por ser meu particular objectivo, passo a enumerar algumas das muitas figuras de estilo:
Metáforas, hipérboles, ironias, prosopopeia ou personificação, parábolas, antíteses, alegorias, fábulas, enigmas, símbolos, pleonasmos, etc.
Como boa obra literária é também enriquecida por diversos estilos literários tais como: História de origens, história heróica, tragédia, drama, sátira, poesia, poema epitalâmio(poema ou hino nupcial), elegia(poema em que predomina a tristeza, por causa do amor ou morte), encómio(poema em louvor de uma qualidade ou sentimentos tais como: o amor e a sabedoria), provérbios, epístola, oratória, escritos visionários ou escatológicos, etc.

d) Como boa obra literária, está cheia de ensinamentos morais.
Isto em nossos dias realmente faz falta. Quando vemos tanta literatura a proliferar em nossa sociedade que incitam as pessoas, principalmente a juventude, a seguirem e a possuírem maus padrões de vida, entrando em situações por vezes de risco, obscuras e até satânicas. Se há um pensamento que diz que a pessoa é o que come, com certeza podemos fazer a devida aplicação ao tipo de literatura que habitualmente se lê. As leis morais reflectem as nossas atitudes para connosco e para com o nosso semelhante e estas também estão bem deturpadas como entendemos e vemos.
Um critico literário, Northrop Frye asseverou: “A Bíblia forma o estrato mais básico no ensino da literatura...”

É sabido e escrito que a base da constituição Americana no que refere ao sistema de educação foi baseado em padrões bíblicos. Estima-se que 87% das primeiras 119 faculdades fundadas nos EUA foram criadas por cristãos, com o fim de educar a juventude na fé cristã. Infelizmente este objectivo foi sendo pouco a pouco sacrificado em prol de outros interesses.

Ainda hoje nas Universidades portuguesas(e não sei, se só) no curso de Direito, os alunos são levados a estudar algumas leis bíblicas principalmente no livro de Deuteronómio. Logicamente quando falamos em estudar não é no sentido mais elevado, o espiritual, mas sim como uma obra que em si está recheada de bons princípios morais. Daí são “extraídas” as leis referentes ao cuidado do benefício do próximo. Também é estudada as leis do direito, as quais se assemelham muito aos dez mandamentos. É analisado também, muitos dos escritos de Paulo principalmente os incidentes sobre a lei Judaica. Estuda-se também a Lei, a transgressão e o devido castigo punitivo, onde há fortes bases, apoiando a nossa actual lei portuguesa.

Conta-se aquando de uma determinada visita de um embaixador africano à Inglaterra, sendo este apresentado à Rainha Vitória, (reinou 64 anos a partir de 1837, época de maior esplendor deste país), este fez-lhe uma pergunta encomendada de seu soberano: “Qual é o segredo do poder e do sucesso que seu país apresenta no mundo?”
A Rainha, então, pegando a Bíblia que estava sobre a sua mesa, respondeu: “ Diga ao Príncipe de seu país que este livro é o segredo da grandeza da Inglaterra”.

e) Como boa obra literária, assume em seu palco personagens reais, em cenários reais e em tempos reais.
Encontramos na Bíblia pequenas biografias de pessoas reais e quando digo isso, refiro-me a pessoas que apesar de serem consideradas grandes heróis na fé e não só, nestas biografias também são referidas suas fraquezas. E que fraquezas! Ao contrário das biografias pessoais que constantemente são editadas e que enchem as prateleiras das livrarias, onde de capa a capa é quase um país das maravilhas. Neste sentido penso que, qualquer semelhança com a realidade podemos dizer: É pura coincidência.

Quanto aos cenários, podemos dizer que todos aqueles que por exemplo, já foram a Israel ou até mesmo à Turquia, melhor do que ninguém podem atestar e asseverar isto. Embora certos nomes mudassem, o que é normal passados no mínimo quase 2000 anos, o lugar geográfico está lá como prova, nem que sejam umas simples pedras, elas ainda hoje dizem que a Bíblia é real e seu testemunho é verdadeiro.

Quanto ao tempo, mesmo a própria história secular, à parte da própria Bíblia pode confirmar que os tempos mencionados não são de maneira alguma abstractos, mas reais.

Isto sem dúvida é bastante estimulante para nós, como leitores, que facilmente podemo-nos identificar com tudo aquilo que estamos a ler.

Conclusão:
A Bíblia é considerada como um “best-seller” em termos de traduções e vendas. Segundo o que pude apurar está traduzida em mais de 1000 línguas incluindo dialectos. Alguém disse o seguinte: “A Bíblia é um livro escrito por quarenta pessoas, traduzido por centenas, impresso por milhares e lido por milhões.”

A Bíblia tem servido de inspiração a muitos outros escritores seculares, que em suas obras e para suas obras vão beber dela. Entre estes está o famoso inglês poeta e dramaturgo, autor do célebre romance Romeu e Julieta, William Shakespeare(1564-1616), onde em suas obras há imensas referências arrebatadas da Bíblia. Um escritor brasileiro poeta , filósofo e estudante de direito- Tobias Barreto (1839-1889) , afirmou: “A Bíblia é um modelo de tudo quanto é belo e bom...”

0 comentários:

Enviar um comentário

Seus comentários são importantes para o blog. Deixe sua apreciação negativa ou positiva, mas não seja neutro.

Reservo-me no direito de não publicar comentários anónimos, caso entenda como necessário ou qualquer outro tipo de comentários que saia da orientação do blog.
Qualquer tipo de comentários que traga linguagem abusiva ou ofensiva de igual modo serão descartados.