segunda-feira, 24 de março de 2014

Entre o Reconhecimento e a Ostentação


1 GUARDAI-VOS de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. 2 Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. 3 Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; (Mat. 6.1-3)


DEFININDO:
O dicionário online priberam, define ostentação da seguinte forma:
  • 1. Acto ou efeito de ostentar.
  • 2. Manifestação.
  • 3. Alarde.
  • 4. Luxo.
  • 5. Jactância.
  • Mostrar com alarde; exibir; alardear.
Não há ninguém que não goste de ser reconhecido por aquilo que faz. O reconhecimento, inclusive, é algo bíblico e incentivado nas Escrituras:
Porque recrearam o meu espírito e o vosso. Reconhecei, pois, aos tais. (I Cor 16:18)
E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; (I Tess 5:12)

Porém, é na forma como lidamos com este reconhecimento, que reside o perigo o qual necessita de dobrada vigilância.
A melhor forma de vencermos a ostentação, o orgulho em praticar algo, é aceitar o desafio de Jesus fazendo e não publicando, esperando daí, receber promoção ou elevação. Este é o tipo de atitude que ambiciona: notoriedade, visibilidade, reconhecimento.

Como devemos calcular, o problema não reside em falar de algo que eventualmente se possa fazer. Encontramos exemplos disto também nas Escrituras:
"Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo."  (I Cor 15:10)
21 Envergonhado o digo, como se nós fôssemos fracos, mas no que qualquer tem ousadia (com insensatez falo) também eu tenho ousadia. 22 São hebreus? também eu. São israelitas? também eu. São descendência de Abraão? também eu. 23 São ministros de Cristo? (falo como fora de mim) eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. 24 Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. 25 Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; 2Cor 11.21-25ss

A ostentação é um problema de coração, de raiz, e quanto às verdadeiras motivações dos outros, sabemos pouco. Sobre nós, é certo que, podemos saber muito mais.
Jesus conhecia a razão porque os fariseus oravam em público, doavam esmolas, jejuavam. As pessoas ao derredor, não. E é exactamente por Ele, Jesus, falar neste espírito ostensivo dos fariseus que ficamos a saber quais as verdadeiras razões porque eles faziam o que faziam.
Há pessoas que parecem querer promoção à custa de algo e enganamo-nos; Outras há que, parecem não desejá-la e enganamo-nos.

Uma pessoa pode até ser vaidosa pela sua simplicidade. Isso acontece se ela faz de sua simplicidade um troféu em relação aos outros. No entanto, a simplicidade é algo que Deus aprova. Contudo, algo bom, pode eventualmente ser "recheado" de uma má intenção.


COMO DESCOBRIR SE AJO COM OSTENTAÇÃO ?
Permitem-me dar sugerir três indícios que podem e estão muitíssimas vezes interligados. E são estes:

2.1. Quando começamos a tirar a alegria ou o prazer do elogio ou da pessoa que nos elogia e começamos a alegrar-nos em nós mesmos:
Este é um dos sinais que pode demonstrar o princípio da ostentação. É aqui que começamos a escorregar para o desfiladeiro do orgulho.
Uma pessoa orgulhosa, não fica feliz porque o outro gostou daquilo que ele fez, mas fica feliz consigo mesmo. O discurso muda para “eu fiz, eu construí, eu sou” e isso repete-se de forma sistemática. É a super-valorização do "Eu".
Este é um ponto muito importante a considerar. Ele não se preocupa se o outro foi abençoado, ele preocupa-se em que isto seja pessoalmente e unicamente meritório.



2.2. Quando ficamos chateados porque fizemos com tanto esforço e ninguém disse nada:
"Servindo de boa vontade como ao Senhor, e não como aos homens." (Ef 6:7)
"E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens,"  (Col 3:23)

Quando fazemos alguma coisa para alguém, estamos definitivamente a fazer para esta pessoa e naturalmente esperamos que haja reconhecimento, mas, nem sempre assim acontece e isso pode-nos levar até a ficar bastante irritados.
No entanto, a Palavra de Deus ensina-nos a mudar o foco do reconhecimento.
Quando um cristão faz algo, seja em que área for, ele jamais deveria esperar dos homens o reconhecimento. Caso estes reconhecessem, seria um bónus, mais nada.
Pense no seguinte: Ninguém vive de bónus, ninguém vive de um extra, ninguém vive de gorjetas. Um bónus, um extra ou uma gorjeta é algo que não sustenta, mas certamente ajuda. Era assim que deveríamos olhar para o reconhecimento dos homens. Deus, esse sim, é o nosso sustento e a razão de nossas ações:
"A minha alma te segue de perto; a tua destra me sustenta."  (Slm 63:8; 119.116)

Quando este pensamento torna-se norteador, passamos a fazer as coisas com a maior naturalidade possível. E, mesmo que, ninguém reconheça, sentir-nos-emos abençoado em relação ao amor que sentimos para com nosso Senhor.
"Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram."  (II Cor 5:14)

Não são os elogios das pessoas que nos deve mover, mas o amor por Cristo e uma gratidão enorme por aquilo que Ele fez por nós na cruz do Calvário. Como consequência disto, queremos abençoar os outros.
Há pessoas que, são capazes de ir longe por algo que se coma, não por necessidade, mas porque sim. Semelhantemente, há pessoas que, são capazes de tudo para arrancar a ferros um elogio dos outros para si mesmo.
Os elogios tem de brotar dos outros naturalmente não por pressão ou simplesmente para parecerem simpáticos.


2.3. Quando surge o pensamento: “Como ninguém elogiou: Tais pessoas não merecem o que faço”
"Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado." (II Cor 12:15)

O apóstolo Paulo, revela exatamente o contrário deste tópico.
Sem dúvida que o diabo começa a dar-nos um empurrão à nossa própria natureza que ama o prestigio, dando-nos a triste ideia que as pessoas que estão à nossa volta definitivamente, não merecem desfrutar da alta qualidade de pessoa que somos.
O diabo sempre tem grandes planos para pessoas que “valem muito”.

Temos que ser muito criteriosos neste aspecto e pedir a Deus que nos dê uma mente continuamente lúcida afim de sabermos exatamente o que esperamos, quando publicamos nossos feitos.
Para uma pessoa chegar a uma conclusão que gosta de ser publicitada em suas obras e decide mudar de comportamento reconhecerá que esta mudança não será tarefa fácil. O problema é que todos nós gostamos disso: Uns mais, outros menos; Uns lutam contra, outros não.

Podemos comparar esta dificuldade em evitar a ostentação, o orgulho à atitude de uma pessoa que não é nada segredeira e sofre imenso porque alguém pediu segredo e ela deseja contar à primeira pessoa, que lhe aparece na frente. Podemos estar certos que ela sofre muito em não contar. É este sofrimento que demonstra que ela é viciada em cusquice.


Existem várias possibilidades :
  • Posso querer reconhecimento abertamente

De forma clara eu publica meus feitos e sinto prazer no reconhecimento.
Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a honra que vem só de Deus? Jo 5.44
"Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus."  (Jo 12:43)

  • Posso querer reconhecimento sorrateiramente

Podemos agir de forma a aparentar que não desejamos, mas no fundo, ansiamos que nossas obras sejam conhecidas. Soa mais ou menos assim:
“Eu não estava à espera de reconhecimento, mas ... também ninguém disse nada”
É também uma ilusão, pois enganamo-nos sabendo que, Deus tudo sabe, tudo conhece, tudo vê.

  • Posso com alegria querer apenas o reconhecimento de Deus 

Faço alegremente como Jesus ensina-me.
Este tipo de pessoa quando faz algo sabe de antemão que não deve esperar absolutamente nada dos homens. No entanto, mesmo agindo assim com a naturalidade necessária, Deus toca os corações dos outros afim de que sejam reconhecidos.

  • Posso querer apenas o reconhecimento de Deus com pesar

Sofro porque não desejava que fosse assim, no entanto reservo-me à publicidade. Acredito que acaba por ser um caminho que nos conduz à resignação. E poderá eventualmente ser um grande passo, rumo à vitória.


CONCLUSÃO:
Somos por vezes tão tolos que mesmo sabendo que perdemos o galardão da parte de Deus, preferimos a honra dos homens, como Jesus mesmo afirmou.
Quando não publicitamos nossos actos, seguimos a Jesus e negamo-nos a nós mesmos. Esta não é uma atitude que tem muitos adeptos.

Termino, com os mesmos versículos, que comecei:
1 GUARDAI-VOS de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. 2 Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. 3 Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; (Mat. 6.1-3)

Receba nossos artigos em seu email:


Delivered by FeedBurner

0 comentários:

Enviar um comentário

Seus comentários são importantes para o blog. Deixe sua apreciação negativa ou positiva, mas não seja neutro.

Reservo-me no direito de não publicar comentários anónimos, caso entenda como necessário ou qualquer outro tipo de comentários que saia da orientação do blog.
Qualquer tipo de comentários que traga linguagem abusiva ou ofensiva de igual modo serão descartados.