quinta-feira, 3 de abril de 2014

O Custo Necessário ...


23 Tudo isto deu Araúna ao rei; disse mais Araúna ao rei: O SENHOR teu Deus tome prazer em ti. 24 Porém o rei disse a Araúna: Não, mas por preço justo to comprarei, porque não oferecerei ao SENHOR meu Deus holocaustos que não me custem nada. Assim Davi comprou a eira e os bois por cinqüenta siclos de prata. 2Sm 24.23,24

O esforço acaba por levar-nos a um desafio que ao nível espiritual, pode e geralmente é, bastante saudável à nossa alma.
Tal esforço, poderá ser constatado em negar alguns prazeres, confortos pessoais em prole de um bem maior. E neste caso – espiritual. Vence-se a dificuldade que temos em esforçarmo-nos, esforçando-nos.

Todos concordamos que o fruto mais doce é aquele que é cultivado por nós, mesmo que seja agridoce. Há uma estranha ligação, entre trabalho/esforço e prazer:
"Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem." (Slm 128:2)
"A riqueza de procedência vã diminuirá, mas quem a ajunta com o próprio trabalho a aumentará." (Prov 13:11; 14:23)
"Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer com que sua alma goze do bem do seu trabalho. Também vi que isto vem da mão de Deus." (Ecl 2:24)

Sinto este prazer da seguinte forma: Melhor do que comprar uma cadeira, uma secretária ou uma estante é construí-la(s) com as próprias mãos. Mesmo que esteja cheia de imperfeições, há um prazer enorme cada vez que, no caso da cadeira, sentamo-nos nela. Já construí uma secretária (a qual trabalho ainda hoje), as estantes do meu escritório e sem dúvida há uma apreciação enorme quando olhamos a obra das nossas mãos. Isso implica esforço, trabalho e dedicação a abraçar um projecto ou uma criação.
Uma mulher aprecia muito mais um bolo feito por ela do que um bolo comprado. Muitos elogios pode ela receber pelo bolo que fez, mas dificilmente receberá grandes elogios a um bolo comprado num supermercado. Isso porquê?
Porque até quem está à nossa volta, valoriza muito mais o trabalho que fazemos, do que de pessoas desconhecidas. É algo perfeitamente natural.

A vida cristã não é uma vida pré-fabricada, onde com pouco ou nenhum esforço consegue-se alcançar as coisas, mas é uma vida recheada de desafios e de esforços.
Em alguns, somos conduzidos por Deus até eles
Noutros, temos necessidade de impô-los a nós

Por exemplo: Quando nos propomos a investir no melhoramento do nosso carácter, não devemos esperar que tal melhoramento resolva-se apenas e só, com muita oração. Devemos aproveitar o confronto com as situações diárias, afim de o melhorarmos. É um desafio diário que se impõe, na medida das dificuldades que vão surgindo.
Quando nos propomos a investir exercitando misericórdia, de igual modo não devemos esperar que tal melhoramento resolva-se com muita oração. Tiago e João, falam sobre esta questão:
14 Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? 15 E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, 16 E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? 17 Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Tg 2.14-17, 1Jo 3.16,17

A oração é sem dúvida o adubo que nos fará abundar mais e mais em nossas atitudes. Muitas vezes esperamos que, a oração resolva as situações e não o nosso problema de agir ou nossa falta de esforço.

Imaginemos três homens que precisam de carregar com um determinado objecto, em que o peso encontra-se distribuído de forma diferente.
Iremos notar que quando partilhamos um peso, este peso é geralmente distribuído, segundo a consciência de cada um. O que isso significa?

Vejamos três alternativas:

1. Posso não pegar na parte mais pesada da carga confessando minha fragilidade
Quanto a isso tudo bem. O máximo que poderá acontecer é as pessoas brincarem com a minha sinceridade de confessar minha fraqueza física.

2. Posso pegar na parte mais pesada para aliviar o(s) outro(s)
Isso significa que se uma pessoa for conscienciosa ela dar-se-à ao prazer de suportar o lado mais pesado da carga, em prole do bem do(s) outro(s).

3. Posso pegar na parte mais leve com intenção de escapar à mais pesada

Uma pergunta: Qual a pessoa que está em pior situação?
A resposta parece óbvia: A que pegou na parte mais pesada. Mas creio que não!

A pessoa que está em pior situação, não é pois, a que pegou na parte mais pesada, mas a que pegou na parte mais leve para que, sobre os outros, caísse a mais pesada.
Ele pode não sentir o peso da carga, mas sentirá um peso maior: O da consciência.
Uma coisa é certa: Quando nos negamos ao esforço, há uma forte tendência de culpabilizar-nos ou então acharmos desculpas para o que fizemos.
Dentro deste exemplo, existe também os que desejam que:
  • A carga seja levada pelo outros
  • Transpirar o menos possível, e
  • Receber a paga igual

Por vezes, há uma forte tentação de alegrarmo-nos no trabalho ou no esforço do outro, simplesmente porque isso diminuirá significativamente o que nos cabe.

A vida cristã está constantemente impelindo-nos para a disciplina e para o sacrifício.


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