terça-feira, 1 de abril de 2014

Obediência Requerida e a Falta de Desejo


Nenhum pai consente que o filho obedeça-o apenas e somente quando ele sentir fazê-lo. Nem a Palavra de Deus autoriza-nos, como filhos, a fazê-lo:
"Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor." (Col 3:20)

Mas, em relação a Deus, que é Soberano, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, o Salvador somos muito sentimentalistas. Achamos que só devemos obedecer a Deus quando sentimos, porque surge quase que de imediato em nossa mente, o velho chavão: “Não sou hipócrita”.

Porém Deus não nos deixa alternativa:
- Se fazemos sem sentimento, pecamos
- Se não fazemos porque não sentimos, desobedecemos aos Seus mandamentos que requerem de nós obediência..

Deduzo que a factura que iremos pagar por esta desobediência enquanto procuramos o sentimento para obedecer a Deus, com certeza manifestar-se-à grande. Deus não espera que seus filhos sintam, Deus espera que seus filhos obedeçam.

Mas isso é certo?
Pergunto:
Quem não acha correto: Os filhos de Deus ou os que não são filhos?
Se não são os filhos eles não têm o direito de achar se é certo ou não as exigências de Deus quanto à obediência que Ele requer de seus filhos e que está escrito em Sua Palavra.
Se porém são os filhos, eles terão que reaprender o que é e em que moldes desenvolve-se a  obediência ao Pai, mesmo não sabendo os porquês de tudo:
"Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?"  (Heb 12:9)

Tomo por exemplo o amor ao próximo:
Alguma vez Jesus disse: “Ama teu próximo quando sentires fazê-lo”? Não. Muito antes pelo contrário!
"Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?"  (Mat 5:46,47)

Quando Jesus foi interpelado pelo mancebo rico, perante o desafio proposto da guarda dos mandamentos de Deus, o jovem de pronto respondeu: “Tudo isso tenho guardado”. Isso incluía o amor a Deus e ao próximo. Quando Jesus mandou-o vender tudo e dar aos pobres, o amor dele pelo próximo parece que esfriou. Pois... é muito fácil amar o próximo logo que isso não acarrete problemas e perdas para mim.

Voltando ao sentir amar o próximo:
Amar quem não nos ama é um favor que fazemos a nós próprios, baseados num mandamento de Deus e porque esta é a única forma de demonstramos em prática que compreendemos aquilo que Cristo fez por nós.
7 Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. 8 Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. 10 Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida." (Rom 5:7,8,10)


Invertendo a falta de amor:
A verdade é que, quando o amor diz respeito a nós próprios, não esperamos e até mesmo ofendemo-nos se alguém chegasse junto a nós, e dissesse: “Eu não te amo porque não o sinto fazer!”.

O que aconteceria, caso alguém tivesse esta coragem para connosco ?
Por um lado, iríamos demonstrar que o amor desta pessoa, não "nos aquece nem nos arrefece" [o que soa ao pecado do orgulho]

E deduzo que quando tal pessoa virasse as costas iríamo-nos perguntar:
“Porque será que ele não gosta de mim? Eu sou tão boa pessoa!; 
Ele é que não presta; Eu é que não gosto dele; 
Não gosta de mim, azar o dele; Ele é que fica a perder”
E com tais expressões pareceremos mais crianças de entendimento do que adultos. Mas é assim que talvez 99% das pessoas comportar-se-iam.

Alguém ficaria indiferente ao ouvir tal coisa?
Quantas vezes iríamos remoer no assunto?
A quantas pessoas falaríamos da atitude que o outro teve para connosco?

Eu pergunto:
As pessoas são obrigadas a gostar de nós? Definitivamente, não!

Então se dizemos que não, porque esperamos que elas gostem e ficamos tristes porque não o fazem?
Deduzo que deve-se ao facto de levarmos em conta o amor, o apreço, a estima dos outros por nossa pessoa. 


Deus não coloca o amor na classe dos sentimentos, mas dos deveres.
Amar é um dever, amar é um mandamento. Qual é o primeiro mandamento?
“Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração ...”

C. S. Lewis em seu livro: Cristianismo puro e simples, diz mais ou menos assim:
É provável que os nazis amassem pouco os judeus, mas uma coisa é certa: Com a prática de os matar acabaram por não os amar nada.

O que isso significa?
Que a obediência ao mandamento de amar resultará em mais ou menos amor ou até mesmo em ódio, na medida da qualidade das nossas ações.
A verdade é que não vemos com bons olhos a possibilidade de um Deus que nos ame ou que nos abençoe, apenas nos momentos em que Ele sentisse fazê-lo. E se alguma vez Ele parece não nos amar, logo interrogamo-nos:
“Mas porquê, Deus permite? Mas porque Ele não me ama?”


Concluindo:
O sentimento ou a falta deste é grande parte das vezes, uma fuga à responsabilidade de obedecer.
Responsabilidade e sentimento por vezes são diametralmente opostos e necessitamos de fazer um grande esforço para reconciliar estas duas partes, que muitas vezes parecem tão distantes.


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