quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O Coração do Homem - Inconstância em Confiar [2]


Nota:
Com base em Génesis 26.7-9, estou abordando 4 aspectos do coração humano em 4 artigos. Sendo este o segundo. Leia o primeiro artigo AQUI

7 E perguntando-lhe os homens daquele lugar acerca de sua mulher, disse: É minha irmã; porque temia dizer: É minha mulher; para que porventura (dizia ele) não me matem os homens daquele lugar por amor de Rebeca; porque era formosa à vista. 9 Então chamou Abimeleque a Isaque, e disse: Eis que na verdade é tua mulher; como pois disseste: É minha irmã? E disse-lhe Isaque: Porque eu dizia: Para que eu porventura não morra por causa dela. Gên 26:7-9

O CORAÇÃO DO HOMEM É INCONSTANTE EM SUA CONFIANÇA EM DEUS
Já dissemos que o medo atrapalha a confiança em Deus, mas é necessário destacar que, quem já confiou em Deus, também já o deixou de fazer.
Afinal, só podemos falar de confiança em Deus porque existe precisamente a possibilidade de não o fazer. Quando não confiamos em Deus, desconfiamos d'Ele.
E quem nem nunca desconfiou de Deus?
Parece uma palavra forte demais “desconfiança”, quando a aplicamos para definir um posicionamento nosso em relação ao próprio Deus, mas esta é uma realidade. Por vezes amenizamos a palavra “desconfiança” pelo eufemismo “falta de confiança”.
Talvez alguns dirão: “Eu nem sempre confiei em Deus, mas nunca desconfiei de Deus”.
Isto talvez passe perto daquilo que uns chamam a mentira de inverdade. Somos tão hábeis a racionalizar nossos pecados, reduzindo-os a meras expressões e palavras.

Não temos razões para desconfiar de Deus:
Já temos visto que Deus pretende reafirmar sua aliança com Isaque, como havia pré-estabelecido com Abraão, seu pai. Isaque poderia olhar para si mesmo e perceber que era a prova evidente da fidelidade de Deus. No entanto, neste preciso momento, ele desconfia das potencialidades do seu Deus.
Faríamos bem, quando a dúvida, a desconfiança surgisse, olharmos para nós próprios e percebermos que somos fruto de uma infinita graça divina.
Várias vezes em momentos de grande consternação espiritual, alguns grandes homens de Deus lembravam as maravilhas de Deus para com o povo Israel:
"E confirmaste a teu povo Israel por teu povo para sempre, e tu, SENHOR, te fizeste o seu Deus."  (II Sam 7 : 24)
21 E quem há como o teu povo Israel, única gente na terra, a quem Deus foi resgatar para seu povo, fazendo-te nome com coisas grandes e temerosas, lançando as nações de diante do teu povo, que resgataste do Egito? 22 E confirmaste o teu povo Israel para ser teu povo para sempre; e tu, SENHOR, lhe foste por Deus. (I Crôn 17:21,22)
E tiraste o teu povo Israel da terra do Egito, com sinais e com maravilhas, e com mão forte, e com braço estendido, e com grande espanto, (Jer 32:21)

Realmente o que poderia, o Deus de toda a terra, fazer com um miserável que d'Ele desconfia e age como senhor de sua vida de forma arrogante e petulante?
"SENHOR, que é o homem, para que o conheças, e o filho do homem, para que o estimes?"  (Salm 144:3)

5 EFEITOS DESTA DESCONFIANÇA AMEAÇADORA

2.1. A DESCONFIANÇA EM DEUS LEVA-NOS A SERMOS SELECTIVOS: 
Podemos ilustrar isto, pensando na possibilidade das diversas áreas da nossa vida poderem ser colocadas em caixas separadas e quais Deus estaria autorizado a cuidar.
No caso de Isaque, Deus foi capaz de guiá-lo, orientá-lo até aquele lugar, no entanto Isaque demonstrou que havia áreas que ele mesmo teria de agir como o guardião de sua família e instrutor.
Seria mais ou menos como: ”Deus guiou-me até aqui, agora o resto faço eu”
Podemos estar certos que isto não deve ser visto como Isaque fazendo a parte que cabe-lhe [há outras partes do texto que faz referência à responsabilidade pessoal]. Porque não?
Porque, quando fazemos a parte que cabe-nos em concordância e sintonia com a vontade de Deus as coisas irão produzir efeitos de justiça e santificação. Não foi isso que aconteceu com Isaque. 
Isaque desconfiou de Deus, achando que Deus não seria capaz de guardar sua esposa, nem a ele, mas “ele sabia” exactamente o que fazer e como fazer. Neste caso - mentindo.
É por vezes, nestas situações de desconfiança que tentamos dar uma “mãozinha” de ajuda a Deus e acabamos por cometer erros gravíssimos.
Qual é a área que estamos selecionando achando que daremos melhor conta do recado, do que Deus?


2.2. A DESCONFIANÇA FAZ-NOS SERMOS DEPENDENTES DAS CIRCUNSTÂNCIAS: 
1 DEUS é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. 2 Portanto [conclusão] não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. 3 Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. (Selá.) Slm 46.1-3
Precisamos muito mais do que simplesmente guiar-nos pelas circunstâncias. Uma pessoa que é dependente das circunstâncias jamais alcançará a libertação total para o serviço ao Senhor.

"E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR."  (Jó 1:21)
Quando Jó afirma tal coisa, nota-se claramente que ele não depende das circunstâncias para reafirmar sua confiança em Deus. As circunstancias exigiam um veredito contrário.
O povo de Israel, quantas vezes dependia das circunstâncias afim de confiar ou não em Deus?
O povo judeu, quantas vezes não pediu uma prova circunstancial, afim de poder crer em Jesus?
Jesus disse a Tomé: “Porque me viste, Tomé, creste?” Jo. 20.29
Mais uma vez, podemos pensar:
Mas, como posso vencer a desconfiança em Deus, quando as circunstâncias são adversas?
Pelo confronto, ou seja, Confiando.


2.3. A DESCONFIANÇA EM DEUS LEVA-NOS A AGIR DE FORMA INSEGURA:
A insegurança no agir contrapõe-se ao agir com segurança. Isto implica não apenas fazer o melhor que pode ser feito, mas o que deve realmente ser feito, certos disto mesmo.
Quantas vezes não fazemos o nosso melhor, mas mesmo assim sentimo-nos inseguros?
A insegurança, não provém de fazer o melhor, mas da incerteza se realmente o nosso melhor é o certo em determinado momento.

Deixe-me ilustrar isso do seguinte modo:
Pressuponho que em medicina deverá haver determinados momentos em que, um médico, faça o melhor pelo seu paciente, mas não tem a certeza se este melhor resultará de forma eficaz.
Enquanto, não há amostras de melhoramento e evolução do caso, o médico, o cirurgião permanecerá inseguro quanto ao que foi feito. É a combinação exacta de “o nosso melhor” e “o certo” que causa espanto e admiração. O médico fez o seu melhor e o seu melhor foi o que resultou. Todavia, nem sempre é assim.

Quando parte-se de uma certeza, de uma confiança inicial, não há qualquer tipo de admiração nos resultados. Os resultados são apenas a confirmação daquilo que esperava-se que acontecesse.
Jamais vemos Jesus admirado pelas orações respondidas ou milagres efetuados.  Porquê?
Jesus disse, que sabia que o Pai sempre O ouvia:
Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste.  (Jo 11:42)

Logo, jamais havia incertezas em seu coração. E porque não? 
Porque Jesus confiava plenamente no Pai e conhecia Sua vontade para cada momento, para cada passo, para cada viagem, cada decisão, etc.
Parece um círculo e na verdade até é. Quando é quebrado o elo da confiança parte-se para a desconfiança e consequentemente agimos com total insegurança.


2.4. A DESCONFIANÇA FAZ-NOS AGIR DE FORMA DESESPERADA:
Se por um lado o medo atrapalha a confiança ou a fé e faz-nos agir de forma insegura, por outro a confiança é precisamente uma atitude de não desesperar, pois também o desespero conduz ao medo (como visto anteriormente).
Atentemos para os grandes heróis da fé, (ex: Abraão, o pai da fé), e os encontraremos em algum momento da história, completamente atrofiados pelo medo produzido pela falta de confiança.

Nunca agimos de forma desesperada numa determinada situação, conduzidos apenas pelo emocionalismo e sentimentos ?
Se sim, é sinal que realmente não confiamos n'Ele.
E não vale a pena argumentar novamente com a justificativa da normalidade. O normal é o cristão confiar inteiramente em seu Deus. Se ele falha nisso a única coisa que resta-lhe é fazer a oração de um pai desesperado:
E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade. Mc 9.24

Confiar em Deus é algo tão profundo, que só em pensar deveríamos ser conduzidos ao temor e tremor. Se há, uma característica que traça o perfil de uma pessoa que confia em Deus, é ela saber exatamente, que não confia em Deus tanto quanto devia.
4 Em Deus louvarei a sua palavra, em Deus pus a minha confiança; não temerei o que me possa fazer a carne. 11 Em Deus tenho posto a minha confiança; não temerei o que me possa fazer o homem. (Slm 56:4,11)
O SENHOR está comigo; não temerei o que me pode fazer o homem. (Slm 118:6)
Eis que Deus é a minha salvação; nele confiarei, e não temerei, porque o SENHOR DEUS é a minha força e o meu cântico, e se tornou a minha salvação. (Is 12:2)
Se não colocarmos em Deus nossa esperança, para além de não descansarmos iremos proceder e até  sentirmo-nos desesperados.


2.5. A DESCONFIANÇA FAZ-NOS DISTORCER A REALIDADE:
Encontre uma pessoa desconfiada seja em que área for, esta sempre terá a tendência de ampliar ou diminuir a realidade, e será detentora de uma dificuldade enorme de aceitar a realidade.
Pensemos em Isaque. Ele foi supostamente levado a mentir porque imaginou em seu coração que as coisas iriam processar-se exactamente da forma como imaginara.
Pensou, que por causa de sua mulher ele corria perigo de vida. E até poderia ter acontecido, mas esta não foi a realidade dos factos.
O texto não relata que aconteceu algum tipo de envolvimento entre Abimeleque ou alguém do seu povo com Rebeca, mas que perante a mentira de Isaque poderia facilmente ter acontecido. (Gn 26.9,10)

O mesmo não aconteceu com Sara perante Faraó e Abimeleque (Gn 12.19,Gn 20.2)

Voltemos novamente às promessas que Deus o havia feito. Porque ele distorceu aquilo que Deus havia-lhe confirmado antes de ele chegar a Gerar? (Gn 26.3)
Isto era o que Isaque deveria ter mais certo. Esta era a realidade efectiva. No entanto Isaque a interpretou do modo mais negro possível. “Vão matar-me”
"Porque, como imaginou no seu coração, assim é ele..." (Prov 23:7)
Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. (Prov 3:5)


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